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Martelo e bigorna

ukapala Não somos martelo nem bigorna, mas sim o metal bruto que precisa ser purificado e moldado. São pancadas impiedosas para nos endireitar, fogo que nos desintoxica, e vez ou outra há o repouso em bondosa água fria. Mas logo o ferreiro torna a nos moldar, entre martelo e bigorna. Se no fim nos tornarmos lâminas afiadas e fortes, terá valido a pena. É a primeira vez que publico um texto assim n'A Caverna, afinal o que comanda aqui é poema e conto, apenas meus textos literários. Escrevo alguma coisa reflexiva vez ou outra, mas guardo para mim, ou às vezes, quando acho relevante, transformo em poema. Como hoje não estou tão inclinado a fazer versos, deixei a mente correr livre com as palavras. Já faz algum tempo que faço essa analogia do martelo e da bigorna, e do metal que se transforma em lâmina boa, pronta para enfrentar qualquer inimigo. É claro que às vezes o aço fica rígido demais, quebradiço, e estas espadas se despedaçam antes mesmo da batalha começar. Ou ficam ma...

Árvores secas

Krappweis Cristofer entrou na cafeteria e foi direto à mesa do canto, onde havia uma mancha de umidade no papel de parede. Provavelmente ele era a única pessoa que se sentava naquele canto. Pensou em puxar um livro  para ler enquanto tomava um capuccino e comia um pedaço de torta, mas viu que a atendente que saiu do balcão para atendê-lo era aquela moça de sempre. "Amanda o nome dela? Acho que é Amanda." - Oi! - disse Amanda, sorrindo. - Oi! - respondeu Cristofer se esforçando para sorrir também. Por fim conseguiu fingir uma expressão de contentamento, aquela que se espera que surja no rosto quando temos que conversar casualmente com alguém. - Você sumiu, pensei até que tinha se mudado. - É, faz tempo que não venho aqui. - "Sumi de tudo, sumi das pessoas, e queria que o mundo sumisse também." - Que bom que veio! - disse Amanda, empolgada, mas corou em seguida. -Quero dizer... que bom que voltou. Bom. Era capuccino e um pedaço de torta de limão, certo...

Viagem de uma vida parte 2

rolve Lá se foi o pequenino, mochila nas costas sorriso no rosto. Caminhou entre arbustos, se enroscou em espinhos mas continuou, tropeçando. Tinha na mente a promessa de alegrias no lado de lá. De nada adiantou ser forte. ___________________________ 18/02/2013.

Poema de vontades

adrilupett Tudo o que queremos é ver o brilho da explosão de um canhão cuspindo felicidade contra uma muralha de empecilhos. Tudo o que desejamos é ouvir os gritos da esperança correndo livre pelos campos, feliz aos risos. Tudo o que precisamos é sentir os golpes frequentes e avassaladores do amor e da humildade Tudo o que esperamos é sentir o sangue pulsando forte na veia enquanto os lábios se tocam. Tudo o que pedimos é poder escalar montanhas de Serra Dourada arcos plenos de pura alegria Tudo o que almejamos é sentir a noite e seu perfume de névoa ares frescos em pulmões palpitantes. ___________________________ 15/02/2013

Um poema meu em um livro

É com alegria que anuncio que um poema meu foi classificado no Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Poesia Livre 2013 , realizado pela Vivara Editora Nacional! O concurso teve 2.186 candidatos inscritos, e 250 poemas foram escolhidos para serem publicados no livro Antologia Poética, Poesia Livre 2013. O poema cavernoso que constará no volume é Cotidiano 23. Lentamente eu encontro espaço para abrir minhas asas!

Das dores do poeta

alexbruda Surge aos portões do castelo distante um monstro maldito chamado Discórdia cujo riso sanguinolento macula as alegrias que ficam na memória, trazendo versos à pena do poeta que lamenta sua amarga história, despida de amor, esperança, fulgor, isenta da sempre desejada glória. Com um golpe impiedoso da vida, disfarçada como o velho destino, o guerreiro da caneta se entrega a tudo aquilo que já foi escrito e àquilo que nunca vira palavra, e esperança vira um fio fino quase se partindo, seu mundo ruindo, seu mundo vazio, castelo maldito. Assim, a dor do poeta se escreve, a saudade se cria sozinha, livre, e empunhar uma caneta sangrenta vira obrigação daquele que vive para expressar no papel o que sente, a luz que sobre seu sorriso incide, a sua visão distorcida do mundo, a sábia falsidade na qual insiste. ___________________________  22/10/2012 Provavelmente o poema mais complicado que já escrevi até hoje. Uma alegoria intrincada sobre as c...