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Mostrando postagens com o rótulo crônica

O olho gordo e o Opala

Victor (VM7) Nunca entendi muito de carros, mas sempre apreciei o Opala. Modelo maravilhoso, sempre presente nos corações daqueles que admiram a boa arte do design automobilístico. É o tipo de carro que arranca suspiro das pessoas, com seu ronco cavernoso, curvas elegantes, demonstrando o melhor que a indústria dos anos 70 tinha a oferecer. Não há como deixar de observar quando ele passa, é impossível ignorar. Por conta desse magnetismo intrínseco do Opala, cometi um pecado que nunca sonhei  cometer. Era noite, fim de inverno, e lá estava eu, caminhando para a faculdade, templo de conhecimento e pensamentos suicidas, quando me deparei com o beberrão mais belo que o Brasil já viu. Estacionado na avenida, bege como café com leite, duas portas, traseira monumental enfeitada por faróis redondos e vermelhos. As luzes dos postes destacavam as curvas com linhas brilhantes, ofuscando os carros ao redor. O esmero do proprietário era evidenciado pela limpeza, a pintura imaculada, ...

O filho de chocadeira

- Puta que pariu essas crianças! Todo sábado, dia de limpeza, Alexandre varria o quintal com o máximo de esmero possível. Não era apenas uma tarefa rotineira e necessária, mas terapêutica para ele. Enquanto varria as folhas e a terra que se acumulavam ao longo da semana, Alexandre pensava nas dificuldades da vida, refletia sobre os problemas surgidos ao longo dos dias anteriores, antevendo as possíveis soluções a serem perseguidas na semana seguinte. Mas sábado não é dia tranquilo. No sábado os pais largam os filhos na rua. Crianças correm para lá e para cá, soltando pipa, andando de bicicleta, gritando, perseguindo cachorros, enfim. Sábado é dia de pandemônio juvenil. E, naquele sábado, os pensamentos de Alexandre foram interrompidos por risadas infantis no portão de sua casa. - Ô mulherzinha! Ô menininha! – Gritava um menino, de no m...

Ciclo vicioso da implicância

Thalita Carvalho Este diálogo simples e bobo é um exercício que fiz há algum tempo, e resolvi publicar. Espero que gostem. - Você vai ler esse livro de novo? - Vou, por quê? - Credo. - Credo por quê? - Por nada. Silêncio.

Crônicas do Ranzinza: Bom dia azedo

Eric olhava ao redor e tinha vontade de bater em alguém. E gente para servir de saco de pancadas não faltava ali. Ele nunca imaginara que tanta gente poderia caber em um espaço tão pequeno. À direita havia uma senhora baixinha e de corpo avantajado, pressionando suas costelas com o ombro. "Velha folgada, onde já se viu!", resmungava ele em pensamento.