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Poesia de cada dia

VH Hammer Existe em todos uma escrita invisível um conjunto de ações da alma acima dos termos físicos maior do que o simples ir e vir e mesmo o que despreza a arte ou se julga incapaz termina o dia como um poeta autor de mais um conjunto de palavras sete poesias por semana trezentas e tantas por ano mesmo em dias ébrios de poesias surreais e nos dias de drama, com palavras azuis versos fatais nos dias de fúria épicos gloriosos nos de alegria estrofes risonhas em dias de diversão alegorias guturais em dias sombrios e mesmo os mais fúteis e vazios são poetas com suas palavras fúteis e vazias e os desafortunados, criminosos, pecadores, cada um com sua escrita, em muitos tomos ao longo da vida, palavras de amor, palavras de alegria, palavras de dor palavras de ódio coleções de volumes e mais volumes que apodrecerão na poeira quando o poeta se for ou ganharão destaque na biblioteca da história Qual é sua poesia hoje? ___________________________ 07/11/2013

Silêncio quebrado

modcam No fim do mundo havia um velho dragão, cuja alma era quase tão idosa quanto o próprio mundo. Ele não era um manso, mas amava a paz, adorava o silêncio de sua caverna e o gotejar incessante das águas que escorriam pelas estalactites. Adorava rasgar os céus em alta velocidade com suas asas gigantescas, varando as nuvens, mergulhando em direção ao chão e arremetendo quando estava prestes a tocar o chão.

Melodias guturais (ou Alegoria da Ira)

LazySunday Aproximo-me devagar, com passos suaves sobre o chão de pedra, respirando os fétidos ares de minha velha caverna, sob montanhas milenares. Entoo uma melodia gutural, para trazer calma ao morador, ilustre Senhor das Chamas que se despertado for, vomitará sua ira, seu fogo, seu esplendor. Cantando eu consigo acalmar o dragão, em seu sono agitado. Anseio por sua amizade, voar com ele, não domá-lo, trazer-lhe à calma celeste sobre o teto acinzentado. Mas enquanto a fera majestosa tem seus sonhos violentos, só o que posso fazer é entoar versos horrendos, caóticos símbolos de seu sangrento reino. ___________________________ 13/03/2013

De olhos fechados

De olhos fechados encontro o meu eu bruto e simples animalesco e sublime fera que encanta por sua força sua voracidade, sua inexorabilidade. De olhos fechados eu grito como um ser primordial cheio de raiva essencial aquela que originou guerras entre nossos ancestrais a raiva instintiva, incontrolável que domina, que cega. De olhos fechados ouço meus tambores e minhas feras respondem e assim como o Lobo eu descubro que não estou só acompanhado e guardado por muitos seres. De olhos fechados eu posso me curvar perante minhas feras aladas que dominam meu céu o firmamento violento de minha alma e nada pode detê-los. De olhos fechados eu percebo que o fogo do abismo é eterno assim como minhas vozes uivantes clamando por terra e sabedoria por sangue e dor invocando meus deuses antigos. De olhos fechados mal consigo controlar meu dragão verdadeiro e sincero animalesco e magnífico senhor do fogo e da sabedoria de irresistível beleza. De olhos fecha...