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Mostrando postagens com o rótulo Vida

Tempestade

Este texto foi publicado aqui na Caverna, originalmente, em setembro de 2011. Pensando nos acontecimentos que me guiaram até aqui, a primeira coisa que me vem à mente é minha chegada àquele pedaço de terra perdido e distante, que serviu de abrigo para meu corpo durante algum tempo. Um lar solitário no meio de um mar gelado e cinzento. Mas no dia em que cheguei o Verão estava no auge, e o clima era acolhedor. Minha surpresa foi tão grande que quase sufoquei no instante em que abri os olhos. Alguns dias antes eu estava perdido em sonhos impossíveis. O ar que entrava em meus pulmões trazia o cheiro infinito do mar, o perfume abençoado das águas gigantes, útero eterno que me envolvia por completo. Eu subia e descia lentamente, num ritmo hipnótico, e assim estava há tanto tempo que minha alma voava livremente, entre os diversos mundos existentes. Minha respiração acompanhava o movimento das ondas, sem que eu tivesse controle sobre isso. Meu corpo, ao perceber a ausência de minha alma...

Solidão pegajosa

Foto: Heidi Swanson O celular despertou às sete e meia. Fátima se sentou na cama, sentindo o frio da manhã atingir seu corpo em cheio. Com amargura ela olhou para o travesseiro, desejando dormir para sempre entre aqueles cobertores quentes e acolhedores. Lá fora o barulho dos carros era intenso, revelando que a cidade já despertara para mais um dia vazio, e Fátima se levantou para receber a parte que lhe cabia naquele vazio todo. Escovou os dentes na semiescuridão do banheiro minúsculo, ouvindo os sons do apartamento do andar de cima. Alguém tomava banho, duas pessoas conversavam, mas ela não podia ouvir as palavras. Uma descarga foi puxada, a conversa se encerrou e uma porta se fechou. O chuveiro continuou ligado. Fátima tentou imaginar como seria a sensação de compartilhar a vida com outra pessoa, ser íntima de alguém. Provavelmente o casal do andar de cima tomaria café da manhã junto. Talvez não fosse nada de muito especial, mas haveria a conversa, o toque, o contato visual....

O fim da vida

Este poema é registro de tempos ruins que ficaram para trás, mas a superação não tira o mérito dos versos. O marinheiro que deu meia volta guiou o navio até o litoral mais próximo. Ele não consegue mais navegar naquele oceano escuro e revolto que leva o nome da vida. Que a praia seja fria e desprovida de encantos; que depois da areia só exista mato e pedras; que o alimento seja escasso; que os ventos frios sejam constantes; que o sol jamais vença as nuvens. Não importa. O marinheiro não navega mais. Não existe destino promissor além do oceano. O navio arde em chamas na areia. A vida acabou. ___________________________ Marlon Vieira, 24/07/2013.

Poesia de cada dia

VH Hammer Existe em todos uma escrita invisível um conjunto de ações da alma acima dos termos físicos maior do que o simples ir e vir e mesmo o que despreza a arte ou se julga incapaz termina o dia como um poeta autor de mais um conjunto de palavras sete poesias por semana trezentas e tantas por ano mesmo em dias ébrios de poesias surreais e nos dias de drama, com palavras azuis versos fatais nos dias de fúria épicos gloriosos nos de alegria estrofes risonhas em dias de diversão alegorias guturais em dias sombrios e mesmo os mais fúteis e vazios são poetas com suas palavras fúteis e vazias e os desafortunados, criminosos, pecadores, cada um com sua escrita, em muitos tomos ao longo da vida, palavras de amor, palavras de alegria, palavras de dor palavras de ódio coleções de volumes e mais volumes que apodrecerão na poeira quando o poeta se for ou ganharão destaque na biblioteca da história Qual é sua poesia hoje? ___________________________ 07/11/2013

Uma jornada sem fim II - Pântano

Christine Três dias após ter atravessado o rio, tive que levantar acampamento antes da hora, pois no meio da tarde uma chuva suave começou a cair. O dia abafado havia exigido muito de minhas forças e de minha determinação, mas as gotas geladas trouxeram conforto para meu corpo, e reflexões para minha mente.

Uma jornada sem fim I - Travessia

Mark Devine Cheguei ao rio que demarcava os limites do norte, largo e de águas ágeis, mas não muito profundo. Corria gélido por entre as árvores, como uma cicatriz viva no meio da floresta densa. Abri caminho através dos arbustos, saindo das sombras, e a luz cinzenta do dia me fez piscar. Ensaiei um passo inseguro nas pedras lisas, mas voltei e observei o outro lado do rio.

Setembro

Krappweis O ano renasce, e com ele volta aquela vontade de morrer pelas palavras, e escorrer feito tinta sobre papel velho. Os dedos e a mente permaneceram adormecidos durante o inverno, atrofiando numa hibernação involuntária. O retorno é lento, a prática volta engatinhando, e com um pouco de boa vontade e talvez otimismo, pode-se encarar a situação com esperança, imaginando um bebê sorridente se arrastando pelo chão, com toda a vida pela frente.

A dona de toda a beleza

dmolla Vi o amor da minha vida no topo da pequena elevação. Atrás dela o sol de fim de tarde brilhava com intensidade num céu azul. Subi devagar, encantado pela visão, pensando na paixão que sua beleza acendia em mim. E naquela tarde ela era a própria encarnação do fascínio, em seu vestido ciano, cabelos negros e longos dançando na brisa que vinha do mar, e o sorriso me convidando.

O banho dos deuses

O vento da mudança cavalga nos trovões com suas belas vozes como tropel divino no céu. Os relâmpagos, rasgando as nuvens trazem a tempestade, banho dos deuses, lavando nossas almas. E o que foge da chuva perde a chance de se limpar nas águas eternas, na tormenta que renova. O que teme o trovão não percebe seu belo som e se esquiva da humildade de se sentir pequeno. ___________________________ 28/05/2013.

Pôr do sol

belinda197 Melodia magistral, que me envolveu num dia cinza de outono. O sol se despedia, deitando-se em seu leito distante. Uma coruja piou ao longe, e das árvores eu pude ouvir a última algazarra dos pássaros que se recolhiam para pernoitar.

Um conto de Taavi

Durante a noite uma névoa dominara a paisagem, coroando a lua com um círculo colorido. Taavi praguejou baixo por ter certeza de que a neblina traria um céu incomodamente azul no dia seguinte. Tamanha foi sua surpresa quando viu o dia surgir através de um teto cinzento.

Quando Ares abençoa o Amor

Pergunto se você quer lutar ao meu lado por nossa vida única lutar para sermos um com nossos escudos lado a lado. E o que nos une nesta luta é Amor uma certeza de Vida mais forte mais poderosa que qualquer ira alimento perfeito para nossas espadas. Batalha que venceremos unidos como um único ser nós dois contra qualquer inimigo para nossa redenção gloriosa. Se você se cansar eu te seguro pelos ombros te defendo e espanto os inimigos te carrego em meus braços. No fim do dia, sob um céu dourado nos deitaremos na grama elevada na colina que defendemos com vigor nosso Amor defendido com unhas e dentes. Poderemos despir nossas armaduras e nos unir em um tipo diferente de batalha protegidos pela noite e por nosso calor e teremos paz por toda a vida. ___________________________ 12/05/2013.

Uma fazenda chamada Sofrimento

lmickles Havia, no interior, uma região árida e infértil, longe de tudo. E no meio deste ermo havia uma grande fazenda chamada Sofrimento, onde havia uma plantação de tristezas. Tristeza era o único tipo de planta que nascia naquele solo prejudicado, que só era regado quando alguém derramava ali suas lágrimas.

Amor antigo

Viaja pela minha existência, suave como pluma e livre como pássaro, um amor antigo e belo, inexorável feito o destino, corça arisca a me provocar pela planície. ___________________________ 26/04/2013.

Silêncio quebrado

modcam No fim do mundo havia um velho dragão, cuja alma era quase tão idosa quanto o próprio mundo. Ele não era um manso, mas amava a paz, adorava o silêncio de sua caverna e o gotejar incessante das águas que escorriam pelas estalactites. Adorava rasgar os céus em alta velocidade com suas asas gigantescas, varando as nuvens, mergulhando em direção ao chão e arremetendo quando estava prestes a tocar o chão.

Para continuar vivo

Escrevia para continuar vivo através das palavras. Nelas ele vivia o que queria, fosse como protagonista, antagonista ou expectador. Escrevia sobre a cor do céu e da grama, e sobre as sensações que o vento provoca, tentando descrever os odores que o ar carrega.

A lebre e o lobo

tome213 Num dia sem poesia, com a garoa fina criando uma névoa que escondia os prédios, como cortina branca e translúcida, ele encontrou a si mesmo, mas estava diferente. Não trazia aquele sorriso de sempre, e sim uma expressão áspera e esperta. Seu Eu áspero falou, e sua voz era cheia de sarcasmo.

Alma antiga

brianc Sentia-se velho, sentindo saudades de um tempo que ele sequer vivera, memórias de uma época que não lhe pertencera. Sentia-se deslocado no tempo, como alguém que nasceu na geração errada. Descobriu que não era velho, mas possuía uma alma antiga, com cheiro de sebo, com ares de clássico, com toques requintados que só o tempo traz, como mobília reformada, retocada com verniz.

Não peço muito

br0 - Como assim fugir? - Sei lá, vou sair por aí, andando. - Mas e o seu emprego, a faculdade? - A faculdade é inútil, odiei o curso que escolhi. Não tem nada a ver comigo, saca? E o trabalho... bom... - E como você vai viver? Vai virar mendigo? - Não, só vou caminhar por aí, Tipo Forest Gump, mas ao invés de correr eu vou caminhar. - Que bobagem! Você não pode estar falando sério! - Por que não?

Martelo e bigorna

ukapala Não somos martelo nem bigorna, mas sim o metal bruto que precisa ser purificado e moldado. São pancadas impiedosas para nos endireitar, fogo que nos desintoxica, e vez ou outra há o repouso em bondosa água fria. Mas logo o ferreiro torna a nos moldar, entre martelo e bigorna. Se no fim nos tornarmos lâminas afiadas e fortes, terá valido a pena. É a primeira vez que publico um texto assim n'A Caverna, afinal o que comanda aqui é poema e conto, apenas meus textos literários. Escrevo alguma coisa reflexiva vez ou outra, mas guardo para mim, ou às vezes, quando acho relevante, transformo em poema. Como hoje não estou tão inclinado a fazer versos, deixei a mente correr livre com as palavras. Já faz algum tempo que faço essa analogia do martelo e da bigorna, e do metal que se transforma em lâmina boa, pronta para enfrentar qualquer inimigo. É claro que às vezes o aço fica rígido demais, quebradiço, e estas espadas se despedaçam antes mesmo da batalha começar. Ou ficam ma...