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O fim da vida

Este poema é registro de tempos ruins que ficaram para trás, mas a superação não tira o mérito dos versos. O marinheiro que deu meia volta guiou o navio até o litoral mais próximo. Ele não consegue mais navegar naquele oceano escuro e revolto que leva o nome da vida. Que a praia seja fria e desprovida de encantos; que depois da areia só exista mato e pedras; que o alimento seja escasso; que os ventos frios sejam constantes; que o sol jamais vença as nuvens. Não importa. O marinheiro não navega mais. Não existe destino promissor além do oceano. O navio arde em chamas na areia. A vida acabou. ___________________________ Marlon Vieira, 24/07/2013.

Elegia

Aqui estou eu, me olhando, meu coração nas mãos, sangrando. O navio chacoalha na beira do mar, meu último refúgio a me esperar. Abri os braços para o silêncio, me entreguei ao último incêndio. Quando o barco arder sobre o mar, saberei que deverei recomeçar. O céu é cinza, ameassador, como o horizonte negro, opressor. É o expurgo da minha alma velha, que logo deverá retornar, bela. A hora chegou, o horizonte se abriu. Luz dourada no mar, o Sol surgiu. Meu fogo trará purificação, minha alma voltará em redenção. Deitado em meu navio fúnebre naveguei pelo oceano lúgubre, ouvindo a elegia terna canção da morada eterna. Flecha em chamas cortando o céu, acende a pira que trará o véu da morte inexorável sobre mim, réquiem sublime do necessário fim. Agora eterna, minha alma espera que o fogo devore minhas feras, para em seguida surgir um novo ser, um novo Eu irá viver. ___________________________ Marlon Weasdor, 26/01/2011