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Mostrando postagens com o rótulo Alegria

A Piscina de Betesda

Pieter Aertsen A porta das ovelhas não mais existe O tanque onde as águas curavam está vazio Somente indesejáveis, leprosos e inválidos, persistem Transeuntes torcem o nariz, ébrios de ódio febril Para eles apenas a desgraça ali reside Cegos, riem por não enxergar a Graça e nem o brilho Pois brilha a voz dos cantores leigos e insistentes E os versos acalorados de poetas em exílio Distantes por cantarem verdades prementes Na fumaça do tabaco os evitados se abraçam em alívio Por ter em Betesda conforto e irmandade ardente E joelhos se dobram, do Cordeiro vem o auxílio Num mundo de carne, de euforia demente Os inválidos festejam na alegria do Altíssimo Que os uniu na busca da Verdade, e isso só eles entendem Cresce a tapeçaria de dourado fio Reunindo louvores de diversas gentes Imagens felizes de sorrisos sofridos É assim que vivem, à beira da piscina, os doentes Rejeitados e cuspidos pelos orgulhosos filhos Do mundo sem cor, da vida dopada, da histeria estr...

Girassol para o falecido

Krappweis Este texto foi publicado, originalmente, em março de 2013. Por uma razão que desconhecia, acabou comparecendo àquele velório, sem conhecer ninguém, nem mesmo o morto. E era contra velórios, achava o evento insólito demais, pessoas chorando ao redor de um cadáver encaixotado. Algumas torradas e xícaras de café para aliviar o desconforto da cena, e ele se obrigou a chegar perto da estrela da festa. Levou um susto quando viu que, estirado no caixão diante dele, estava ele mesmo. Algodão nos ouvidos e nas narinas, terno preto ironicamente bem desenhado e cabelo penteado. No rosto macilento havia um sorriso abobalhado, daquele tipo de que suaviza o nervosismo. Sentiu-se mal diante daquilo, uma fraqueza estranha, e também um vazio que desconhecia, uma mistura de tristeza e raiva, como se nada mais tivesse graça, motivo, sentido. Percebeu os olhos das pessoas, julgando-o. Não, ele não morreu, estava ali e todos os viam. Era apenas uma parte sua que havia falecido: a alegri...

Poesia de cada dia

VH Hammer Existe em todos uma escrita invisível um conjunto de ações da alma acima dos termos físicos maior do que o simples ir e vir e mesmo o que despreza a arte ou se julga incapaz termina o dia como um poeta autor de mais um conjunto de palavras sete poesias por semana trezentas e tantas por ano mesmo em dias ébrios de poesias surreais e nos dias de drama, com palavras azuis versos fatais nos dias de fúria épicos gloriosos nos de alegria estrofes risonhas em dias de diversão alegorias guturais em dias sombrios e mesmo os mais fúteis e vazios são poetas com suas palavras fúteis e vazias e os desafortunados, criminosos, pecadores, cada um com sua escrita, em muitos tomos ao longo da vida, palavras de amor, palavras de alegria, palavras de dor palavras de ódio coleções de volumes e mais volumes que apodrecerão na poeira quando o poeta se for ou ganharão destaque na biblioteca da história Qual é sua poesia hoje? ___________________________ 07/11/2013

Uma fazenda chamada Sofrimento

lmickles Havia, no interior, uma região árida e infértil, longe de tudo. E no meio deste ermo havia uma grande fazenda chamada Sofrimento, onde havia uma plantação de tristezas. Tristeza era o único tipo de planta que nascia naquele solo prejudicado, que só era regado quando alguém derramava ali suas lágrimas.

Sobre vida e amor

Enquanto a chuva, ruidosa, caprichosa, escorre pelo ar, a moldar minha úmida realidade, a verdade que ecoa em minha mente, simplesmente, é a vida querida que me espera ao longe, onde minha nervosa alma se acalma, ao encontrar pelo ar o meu doce amor. Escorrem minhas lágrimas, lástimas e antigos tormentos, momentos de dor ou alegria, euforia, quando meu amor sorri aqui, deitada ao meu lado, sagrados instantes de felicidade, cumplicidade, história antigo. Consigo imaginar nosso passado, traçado perfeito de linha da Vida. Meu peito se enche de alegria todo dia, ao pensar que ela, minha bela, vai cuidar de mim até o fim de nossa vida, aguerrida mas cheia de amor, esplendor verossímil e superno, sempiterno, canção perfeita que estreita nossos laços, traços singelos de amor. ___________________________ Marlon Weasdor, 04/01/2012