Alfi007 Na parede o quadro parece vivo, com seu verde gritante pontilhado de flores amarelas, e contra o céu azul, montanhas, tão grandes que rasgam as nuvens, enquanto pássaros felizes voam por ali, cercados por borboletas de tantas cores. Na parede o desejo, a ambição, uma certeza que vai perdendo a cor, além de minhas forças, fora do alcance. O quadro zomba de mim, tão brilhante. Me convida, mas ao mesmo tempo desdenha, certo de que jamais pisarei naquela grama, certo de não serei capaz. Em seu desafio mudo a paisagem divina desperta orgulho, incendeia meu peito antigo, acende as chamas da Caverna, de onde eu grito em fúria. Com as entranhas ainda quentes abandono meu repouso. O que meu coração diz é impronunciável, incompreensível, mas se ele usasse palavras, ele estaria gritando para eu voar bem alto, acima das nuvens, acima das esperanças, e invadir o quadro insolente. Lá, como em Lá , eu serei feliz. Naquela paisagem, que mesmo provocadora ...