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O quadro na parede

Alfi007 Na parede o quadro parece vivo, com seu verde gritante pontilhado de flores amarelas, e contra o céu azul, montanhas, tão grandes que rasgam as nuvens, enquanto pássaros felizes voam por ali, cercados por borboletas de tantas cores. Na parede o desejo, a ambição, uma certeza que vai perdendo a cor, além de minhas forças, fora do alcance. O quadro zomba de mim, tão brilhante. Me convida, mas ao mesmo tempo desdenha, certo de que jamais pisarei naquela grama, certo de não serei capaz. Em seu desafio mudo a paisagem divina desperta orgulho, incendeia meu peito antigo, acende as chamas da Caverna, de onde eu grito em fúria. Com as entranhas ainda quentes abandono meu repouso. O que meu coração diz é impronunciável, incompreensível, mas se ele usasse palavras, ele estaria gritando para eu voar bem alto, acima das nuvens, acima das esperanças, e invadir o quadro insolente. Lá, como em Lá , eu serei feliz. Naquela paisagem, que mesmo provocadora ...

Viagem por Terra, Água e Ar

Bandeiras no horizonte, poeira em nosso rosto. Gelo com cheiro de Morte e o chão treme sob nós. Certeza de vitória, cortina vermelha em nossos olhos. Não são bandeiras, são navios e velas. Não é poeira, mas água. Não há gelo, apenas uma gélida brisa. Não há chão, apenas o oceano. Certeza de vitória, cortina vermelha em nossos olhos. Não são velas ou navios, são pássaros, e não existe água, apenas nuvens. Não há brisa, mas vento morno e perfumado. Não há oceano, apenas nuvens. Certeza de vitória, cortina vermelha em nossos olhos. Numa ilha de castelo brancos, num destino muito distante, num futuro não tão longe, Lá. Certeza de vitória, cortina vermelha em nossos olhos. Marlon Weasdor, 17/05/2011. Mais uma daquelas alegorias miseráveis, desculpem-me. Hoje acordei com ares de Esperança.

Lá III - A vitória

Lá acordei, me ergui, lutei. Lá, ao meu lado, ela lutou. Minha bela Coruja, eu sei, foi o teu olhar que me salvou! E o sangue tocou a Terra! O exército branco caiu! Nosso Amor venceu a Guerra, e o horizonte se abriu. Voamos. Fomos para longe. Agora somos soberanos. Felizes, ninguém sabe onde, muito além do oceano! Aqui, tão longe da escória. Aqui, eis a nossa história.

Lá II - O levante

Mas vida! És tão preciosa! Não posso viver pelos mares, bosques de árvores frondosas e montanhas de muitos ares? Oh inverno injustiçado, por tuas mãos eu fui desperto! Pelo ar um canto velado, tua voz chegando mais perto! Coruja veio voando, belos olhos gregos, sorrindo, sua voz mortal ecoando, meu tenro amor, eu a sinto. Abro as asas novamente, lá, e com ira inclemente.

Lá I - O cerco

Lá, aos portões do desespero; lá, onde o fim nos envolve; onde o Sol é prisioneiro; onde o luar se dissolve. Chega o exército branco, Brutal, tolo, falso, maldito, causadores de dor e pranto, riem, porque estou ferido. Ferido, sujo, humilhado, sozinho perante os grandes, ninguém ouvirá o meu brado, meu grito vago e distante. Morrerei de forma profana. Lá, reino de ira insana.