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Mostrando postagens com o rótulo Poema

A Piscina de Betesda

Pieter Aertsen A porta das ovelhas não mais existe O tanque onde as águas curavam está vazio Somente indesejáveis, leprosos e inválidos, persistem Transeuntes torcem o nariz, ébrios de ódio febril Para eles apenas a desgraça ali reside Cegos, riem por não enxergar a Graça e nem o brilho Pois brilha a voz dos cantores leigos e insistentes E os versos acalorados de poetas em exílio Distantes por cantarem verdades prementes Na fumaça do tabaco os evitados se abraçam em alívio Por ter em Betesda conforto e irmandade ardente E joelhos se dobram, do Cordeiro vem o auxílio Num mundo de carne, de euforia demente Os inválidos festejam na alegria do Altíssimo Que os uniu na busca da Verdade, e isso só eles entendem Cresce a tapeçaria de dourado fio Reunindo louvores de diversas gentes Imagens felizes de sorrisos sofridos É assim que vivem, à beira da piscina, os doentes Rejeitados e cuspidos pelos orgulhosos filhos Do mundo sem cor, da vida dopada, da histeria estr...

O fim da vida

Este poema é registro de tempos ruins que ficaram para trás, mas a superação não tira o mérito dos versos. O marinheiro que deu meia volta guiou o navio até o litoral mais próximo. Ele não consegue mais navegar naquele oceano escuro e revolto que leva o nome da vida. Que a praia seja fria e desprovida de encantos; que depois da areia só exista mato e pedras; que o alimento seja escasso; que os ventos frios sejam constantes; que o sol jamais vença as nuvens. Não importa. O marinheiro não navega mais. Não existe destino promissor além do oceano. O navio arde em chamas na areia. A vida acabou. ___________________________ Marlon Vieira, 24/07/2013.

Poesia de cada dia

VH Hammer Existe em todos uma escrita invisível um conjunto de ações da alma acima dos termos físicos maior do que o simples ir e vir e mesmo o que despreza a arte ou se julga incapaz termina o dia como um poeta autor de mais um conjunto de palavras sete poesias por semana trezentas e tantas por ano mesmo em dias ébrios de poesias surreais e nos dias de drama, com palavras azuis versos fatais nos dias de fúria épicos gloriosos nos de alegria estrofes risonhas em dias de diversão alegorias guturais em dias sombrios e mesmo os mais fúteis e vazios são poetas com suas palavras fúteis e vazias e os desafortunados, criminosos, pecadores, cada um com sua escrita, em muitos tomos ao longo da vida, palavras de amor, palavras de alegria, palavras de dor palavras de ódio coleções de volumes e mais volumes que apodrecerão na poeira quando o poeta se for ou ganharão destaque na biblioteca da história Qual é sua poesia hoje? ___________________________ 07/11/2013

O banho dos deuses

O vento da mudança cavalga nos trovões com suas belas vozes como tropel divino no céu. Os relâmpagos, rasgando as nuvens trazem a tempestade, banho dos deuses, lavando nossas almas. E o que foge da chuva perde a chance de se limpar nas águas eternas, na tormenta que renova. O que teme o trovão não percebe seu belo som e se esquiva da humildade de se sentir pequeno. ___________________________ 28/05/2013.

Quando Ares abençoa o Amor

Pergunto se você quer lutar ao meu lado por nossa vida única lutar para sermos um com nossos escudos lado a lado. E o que nos une nesta luta é Amor uma certeza de Vida mais forte mais poderosa que qualquer ira alimento perfeito para nossas espadas. Batalha que venceremos unidos como um único ser nós dois contra qualquer inimigo para nossa redenção gloriosa. Se você se cansar eu te seguro pelos ombros te defendo e espanto os inimigos te carrego em meus braços. No fim do dia, sob um céu dourado nos deitaremos na grama elevada na colina que defendemos com vigor nosso Amor defendido com unhas e dentes. Poderemos despir nossas armaduras e nos unir em um tipo diferente de batalha protegidos pela noite e por nosso calor e teremos paz por toda a vida. ___________________________ 12/05/2013.

A ira que não quer morrer

MG_FX Ninguém sabe como é de manhã ou ao anoitecer no jantar ou no café da manhã na luz do dia ou no conforto da noite ver tudo através de uma lente rubra Você não sabe como é acordar em chamas todos os dias rir sem ter vontade clamar por Afrodite e Atena e ser atendido por gargalhadas de Ares Nunca saberão como é querer adormecer um monstro querido mas fatal cuja vida preciosa encerra uma alma eterna. ___________________________ Marlon Weasdor, 03/05/2013.

Aconchego

A ira violenta que domina a mente se mistura à tristeza que pesa no peito tudo em uma única onda de pesar. Mas tudo isso falece diante de seus olhos, Coruja do meu céu escuro, aconchego brilhante no meu mundo sem luz. ___________________________ 03/05/2013.

Amor antigo

Viaja pela minha existência, suave como pluma e livre como pássaro, um amor antigo e belo, inexorável feito o destino, corça arisca a me provocar pela planície. ___________________________ 26/04/2013.

Melodias guturais (ou Alegoria da Ira)

LazySunday Aproximo-me devagar, com passos suaves sobre o chão de pedra, respirando os fétidos ares de minha velha caverna, sob montanhas milenares. Entoo uma melodia gutural, para trazer calma ao morador, ilustre Senhor das Chamas que se despertado for, vomitará sua ira, seu fogo, seu esplendor. Cantando eu consigo acalmar o dragão, em seu sono agitado. Anseio por sua amizade, voar com ele, não domá-lo, trazer-lhe à calma celeste sobre o teto acinzentado. Mas enquanto a fera majestosa tem seus sonhos violentos, só o que posso fazer é entoar versos horrendos, caóticos símbolos de seu sangrento reino. ___________________________ 13/03/2013

Teto de nuvens

Krappweis Roubaram o teto, o Sol espantou as nuvens, camas suaves que me confortam, travesseiros celestes onde eu gosto de dormir. Removeram o teto que cobria as colinas, campos de esmeralda, e hoje a luz avilta o mundo, o calor agride as escamas. Devolvam-me o teto, meu teto de nuvens, que me escondem deste azul, meu teto acolchoado que arde no fim do dia.

Viagem de uma vida parte 2

rolve Lá se foi o pequenino, mochila nas costas sorriso no rosto. Caminhou entre arbustos, se enroscou em espinhos mas continuou, tropeçando. Tinha na mente a promessa de alegrias no lado de lá. De nada adiantou ser forte. ___________________________ 18/02/2013.

Poema de vontades

adrilupett Tudo o que queremos é ver o brilho da explosão de um canhão cuspindo felicidade contra uma muralha de empecilhos. Tudo o que desejamos é ouvir os gritos da esperança correndo livre pelos campos, feliz aos risos. Tudo o que precisamos é sentir os golpes frequentes e avassaladores do amor e da humildade Tudo o que esperamos é sentir o sangue pulsando forte na veia enquanto os lábios se tocam. Tudo o que pedimos é poder escalar montanhas de Serra Dourada arcos plenos de pura alegria Tudo o que almejamos é sentir a noite e seu perfume de névoa ares frescos em pulmões palpitantes. ___________________________ 15/02/2013

Das dores do poeta

alexbruda Surge aos portões do castelo distante um monstro maldito chamado Discórdia cujo riso sanguinolento macula as alegrias que ficam na memória, trazendo versos à pena do poeta que lamenta sua amarga história, despida de amor, esperança, fulgor, isenta da sempre desejada glória. Com um golpe impiedoso da vida, disfarçada como o velho destino, o guerreiro da caneta se entrega a tudo aquilo que já foi escrito e àquilo que nunca vira palavra, e esperança vira um fio fino quase se partindo, seu mundo ruindo, seu mundo vazio, castelo maldito. Assim, a dor do poeta se escreve, a saudade se cria sozinha, livre, e empunhar uma caneta sangrenta vira obrigação daquele que vive para expressar no papel o que sente, a luz que sobre seu sorriso incide, a sua visão distorcida do mundo, a sábia falsidade na qual insiste. ___________________________  22/10/2012 Provavelmente o poema mais complicado que já escrevi até hoje. Uma alegoria intrincada sobre as c...

Se

Mattox E se a pena despertar e voltar a criar versos de alegorias sem fim? E se a tinta escorrer pelas beiradas do papel levando um pouco de mim? E se esperar o pior nos cegar para o melhor e enfraquecer o amor? E se o vinho selvagem ante o castelo do rei escorrer sem nenhum pudor? E se a luz se apagar nos abandonando, enfim, à própria sorte maldita? E se o poeta nascer de novo em berço de dor, aquela velha dor querida? ___________________________ 22/10/2012

A morte do poeta

ortega Renasce pelas palavras aquilo que, num dia quente e distante, surgiu pelo lápis, riscando papel, num ritual longo e hipnótico, para formar um desenho nostálgico, puro, simples, longe na imaginação. Imaginação infantil, desejosa, ansiosa por coisas que nunca viveu e talvez nunca viverá, ou talvez, viveu em vidas distantes, como o Dragão que tanto grita querendo voar para sempre. Dragão que urra eternamente, trancado numa caverna profunda, antro claustrofóbico que o sufoca e o pobre ser só pode gritar no escuro aconchegante que ele nunca desejou. Escuro este que dizem ser bom, o escuro da resiliência, o escuro que omite as palavras, esconde o poeta sem temer, sem pensar no que ele pode fazer, sem perceber que ele morre. O poeta morre quando não tem sentimentos, pois ele não é feito de palavras é feitos de dores e alegrias, escuro e claro, morte e vida, uma obra barroca perfeita empoeirada nos corredores do te...

Linhas fracas de um sonho eterno

Alfi007 Outras linhas fracas de mais um poema bucólico carregado de nostalgia e desejos de viagem por lugares nunca vistos mas ao mesmo tempo sentidos onde existir não é um fardo onde sorrir é mais simples onde podemos olhar, sentados numa colina, debaixo de uma árvore, a luz do sol tocando a terra acariciando a grama tingindo o mundo de luz, calor, paz, serenidade, sem ter hora para ir embora sem querer ir embora sem precisar ir embora de pés descalços. Outras linhas fracas de mais um sonho eterno. ___________________________ 18/10/2012

Setembro

Sonhei com um Setembro ensolarado. As nuvens cinzas haviam desaparecido e o Sol era o rei, iluminando tudo. A luz mostrava todo o universo, abençoando cada pedaço de vida e cobrindo todos de falso humor. Eu estava cercado por sorrisos e tantas pessoas me tratavam bem, eram meus amigos, tão próximos. Eu estava feliz, sorrindo com todos, apertando mãos e dizendo "bom dia" e o ambiente era acolhedor. Satisfação e realização por todo lugar. Setembro de luz que envolvia o mundo sem abandonar ninguém. Sonho bonito, Setembro imaculado, como se eu pudesse suportar, como se fosse verdade... Mas não passou de sonho ruim. Meu Setembro é cinza e chuvoso. É parte da minha magia. Meu Setembro é coberto de neblina. Nela eu encerro meu universo, e nenhum sorriso falso me toca. Meu mundo de neblina é ressurreição, onde meu ciclo de vida recomeça, onde eu só vejo o que é real. Na neblina eu busco respostas para as perguntas que realmente importam. A luz...

Adeus ao horizonte

boogy_man É hora de erguer a cabeça e dizer adeus ao horizonte; o pensamento voa para longe enquanto atravessa os oceanos num turbilhão de memórias vindouras rumo ao futuro brilhante. Prepare-se para o fim da vida, do mundo como você o conhece, pois tomaremos o mundo de assalto e nossa voz será ouvida. É hora de respirar fundo e saudar o destino com alegria; navegaremos nas marés vacilantes, na costura das fiandeiras, e Lá ninguém poderá conter nosso ímpeto de vitória. ___________________________ Marlon Weasdor, 17/07/2012

Viagem de uma vida

rolve Boa viagem, pequenino. O dia raiou, bonito, e sua mochila está pronta. Atrás daquela colina. Para lá que você deve ir, mas tenha muito cuidado. Você viajará na neblina, portanto seja forte. Há um prêmio para você. ___________________________ 11/07/2012

Alegoria

blogman Existem momentos cruciais nos quais os braços se cansam e as armas vão ao chão. É quando o fogo nos olhos se transforma em incêndio e devasta as colinas do ser. Existem momentos especiais nos quais a luta parece infinita e os pulmões falham de cansaço. É quando o semblante escurece, e você se sente derrotado, encolhido diante do mundo. Existem momentos banais nos quais os castelos desabam, caem no abismo do mundo. É quando você renasce, com um vigor rejuvenescido, pois o abismo é o berço da Terra. E nos momentos cruciais, quando as coisas especiais se apagam diante de banalidades, é hora de sair do abismo, deixar de ser humano e se aproximar dos deuses. ___________________________ Marlon Weasdor, 11/07/2012 Alegoria sobre dificuldades e persistência. Este poema é propositalmente alegórico, você só vai conseguir entender se colocar sua própria pessoa no lugar do eu lírico. E certamente a sua compreensão estrá restrita às suas experiências pe...