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Mostrando postagens com o rótulo insanidade

Palavras de fogo

Etthiss Antiga é a minha força, o poder que me faz escrever, o impulso que me faz cantar. Doce, rubra insanidade, sempre tão profunda em meu ser, é sobre ti que irei falar. No passado, há muitos anos um grande ser veio ao mundo. Corpo de escamas coberto, suas asas rasgavam o céu. Ao som de seu grito profundo o destino era incerto. Nascido entre os antigos, grande força da natureza que se tornou um dos imortais, dominou o fogo eterno, o seu símbolo de nobreza, e reinou nas terras abissais. Feliz, abria sua asas no azul e jovem firmamento, voando livre em sua paz, até novos deuses surgirem, com seu parco conhecimento, deixando o Dragão para trás. Mas ele é forte, eterno. Salvou para mim sua ira, guardou as palavras de fogo, e através do véu dos mundos em mim sua alma respira à beira dum abismo novo. ___________________________ 04/07/2012

De olhos fechados

De olhos fechados encontro o meu eu bruto e simples animalesco e sublime fera que encanta por sua força sua voracidade, sua inexorabilidade. De olhos fechados eu grito como um ser primordial cheio de raiva essencial aquela que originou guerras entre nossos ancestrais a raiva instintiva, incontrolável que domina, que cega. De olhos fechados ouço meus tambores e minhas feras respondem e assim como o Lobo eu descubro que não estou só acompanhado e guardado por muitos seres. De olhos fechados eu posso me curvar perante minhas feras aladas que dominam meu céu o firmamento violento de minha alma e nada pode detê-los. De olhos fechados eu percebo que o fogo do abismo é eterno assim como minhas vozes uivantes clamando por terra e sabedoria por sangue e dor invocando meus deuses antigos. De olhos fechados mal consigo controlar meu dragão verdadeiro e sincero animalesco e magnífico senhor do fogo e da sabedoria de irresistível beleza. De olhos fecha...

Poeta da noite

O vento assobiava, entrando pelas fresta da janela, trazendo o frio do inverno para dentro do quarto úmido, iluminado apenas pela vela sobre a mesa. A chuva caía há três semanas, dando curtas tréguas de poucas horas, e toda a casa cheirava a mofo. A tarde chegava ao seu fim, tão cinzenta quanto as últimas manhãs, e a vida parecia ter congelado. Fausto passara os últimos dias sentado em sua cadeira dura, curvado sobre sua escrivaninha velha, escrevendo seus poemas e contos malditos. Não comera nada desde que a dispensa esvaziara, e saíra do quarto apenas para pegar mais garrafas de vinho barato, que seu porão tinha de sobra.