Este texto foi publicado aqui na Caverna, originalmente, em setembro de 2011. Pensando nos acontecimentos que me guiaram até aqui, a primeira coisa que me vem à mente é minha chegada àquele pedaço de terra perdido e distante, que serviu de abrigo para meu corpo durante algum tempo. Um lar solitário no meio de um mar gelado e cinzento. Mas no dia em que cheguei o Verão estava no auge, e o clima era acolhedor. Minha surpresa foi tão grande que quase sufoquei no instante em que abri os olhos. Alguns dias antes eu estava perdido em sonhos impossíveis. O ar que entrava em meus pulmões trazia o cheiro infinito do mar, o perfume abençoado das águas gigantes, útero eterno que me envolvia por completo. Eu subia e descia lentamente, num ritmo hipnótico, e assim estava há tanto tempo que minha alma voava livremente, entre os diversos mundos existentes. Minha respiração acompanhava o movimento das ondas, sem que eu tivesse controle sobre isso. Meu corpo, ao perceber a ausência de minha alma...