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Mostrando postagens com o rótulo Alegoria

A Piscina de Betesda

Pieter Aertsen A porta das ovelhas não mais existe O tanque onde as águas curavam está vazio Somente indesejáveis, leprosos e inválidos, persistem Transeuntes torcem o nariz, ébrios de ódio febril Para eles apenas a desgraça ali reside Cegos, riem por não enxergar a Graça e nem o brilho Pois brilha a voz dos cantores leigos e insistentes E os versos acalorados de poetas em exílio Distantes por cantarem verdades prementes Na fumaça do tabaco os evitados se abraçam em alívio Por ter em Betesda conforto e irmandade ardente E joelhos se dobram, do Cordeiro vem o auxílio Num mundo de carne, de euforia demente Os inválidos festejam na alegria do Altíssimo Que os uniu na busca da Verdade, e isso só eles entendem Cresce a tapeçaria de dourado fio Reunindo louvores de diversas gentes Imagens felizes de sorrisos sofridos É assim que vivem, à beira da piscina, os doentes Rejeitados e cuspidos pelos orgulhosos filhos Do mundo sem cor, da vida dopada, da histeria estr...

Poesia de cada dia

VH Hammer Existe em todos uma escrita invisível um conjunto de ações da alma acima dos termos físicos maior do que o simples ir e vir e mesmo o que despreza a arte ou se julga incapaz termina o dia como um poeta autor de mais um conjunto de palavras sete poesias por semana trezentas e tantas por ano mesmo em dias ébrios de poesias surreais e nos dias de drama, com palavras azuis versos fatais nos dias de fúria épicos gloriosos nos de alegria estrofes risonhas em dias de diversão alegorias guturais em dias sombrios e mesmo os mais fúteis e vazios são poetas com suas palavras fúteis e vazias e os desafortunados, criminosos, pecadores, cada um com sua escrita, em muitos tomos ao longo da vida, palavras de amor, palavras de alegria, palavras de dor palavras de ódio coleções de volumes e mais volumes que apodrecerão na poeira quando o poeta se for ou ganharão destaque na biblioteca da história Qual é sua poesia hoje? ___________________________ 07/11/2013

Uma jornada sem fim II - Pântano

Christine Três dias após ter atravessado o rio, tive que levantar acampamento antes da hora, pois no meio da tarde uma chuva suave começou a cair. O dia abafado havia exigido muito de minhas forças e de minha determinação, mas as gotas geladas trouxeram conforto para meu corpo, e reflexões para minha mente.

Uma jornada sem fim I - Travessia

Mark Devine Cheguei ao rio que demarcava os limites do norte, largo e de águas ágeis, mas não muito profundo. Corria gélido por entre as árvores, como uma cicatriz viva no meio da floresta densa. Abri caminho através dos arbustos, saindo das sombras, e a luz cinzenta do dia me fez piscar. Ensaiei um passo inseguro nas pedras lisas, mas voltei e observei o outro lado do rio.

Uma fazenda chamada Sofrimento

lmickles Havia, no interior, uma região árida e infértil, longe de tudo. E no meio deste ermo havia uma grande fazenda chamada Sofrimento, onde havia uma plantação de tristezas. Tristeza era o único tipo de planta que nascia naquele solo prejudicado, que só era regado quando alguém derramava ali suas lágrimas.

Das dores do poeta

alexbruda Surge aos portões do castelo distante um monstro maldito chamado Discórdia cujo riso sanguinolento macula as alegrias que ficam na memória, trazendo versos à pena do poeta que lamenta sua amarga história, despida de amor, esperança, fulgor, isenta da sempre desejada glória. Com um golpe impiedoso da vida, disfarçada como o velho destino, o guerreiro da caneta se entrega a tudo aquilo que já foi escrito e àquilo que nunca vira palavra, e esperança vira um fio fino quase se partindo, seu mundo ruindo, seu mundo vazio, castelo maldito. Assim, a dor do poeta se escreve, a saudade se cria sozinha, livre, e empunhar uma caneta sangrenta vira obrigação daquele que vive para expressar no papel o que sente, a luz que sobre seu sorriso incide, a sua visão distorcida do mundo, a sábia falsidade na qual insiste. ___________________________  22/10/2012 Provavelmente o poema mais complicado que já escrevi até hoje. Uma alegoria intrincada sobre as c...

Alegoria

blogman Existem momentos cruciais nos quais os braços se cansam e as armas vão ao chão. É quando o fogo nos olhos se transforma em incêndio e devasta as colinas do ser. Existem momentos especiais nos quais a luta parece infinita e os pulmões falham de cansaço. É quando o semblante escurece, e você se sente derrotado, encolhido diante do mundo. Existem momentos banais nos quais os castelos desabam, caem no abismo do mundo. É quando você renasce, com um vigor rejuvenescido, pois o abismo é o berço da Terra. E nos momentos cruciais, quando as coisas especiais se apagam diante de banalidades, é hora de sair do abismo, deixar de ser humano e se aproximar dos deuses. ___________________________ Marlon Weasdor, 11/07/2012 Alegoria sobre dificuldades e persistência. Este poema é propositalmente alegórico, você só vai conseguir entender se colocar sua própria pessoa no lugar do eu lírico. E certamente a sua compreensão estrá restrita às suas experiências pe...

Aγάπη

nyee Amigo da dor, irmão da paixão, ele caminha suave, sorrindo. Observa tudo em silêncio com seus olhos astutos e faiscantes, cheio de ironia e calor, mestre de todos os instantes. Desejado, amado, querido, primo do ódio, e sempre odiado. Tantos cedem, tantos se entregam, felizes ou desesperados, criam canções e danças para celebrá-lo, para recebê-lo. Divindade temperamental, sofisticado e imponente, não conhece a humildade nem mesmo quando religioso, e castidade muitas vezes é esquecida quando ele está por perto. Possui inúmeras máscaras, adequadas a ocasiões diferentes, e as usa para andar entre os seres, tocando-os com suas mãos quentes, acariciando as almas do universo sem distinguir mortais e imortais. É fraterno ao lado de pais e filhos; ardente quando vem depois com paixão; cristalino quando amadurece; selvagem quando está em fúria; gélido quando não é bem vindo; sem jamais deixar de ser leal. Não responde a ninguém, dono de todo o univ...

Elegia

Aqui estou eu, me olhando, meu coração nas mãos, sangrando. O navio chacoalha na beira do mar, meu último refúgio a me esperar. Abri os braços para o silêncio, me entreguei ao último incêndio. Quando o barco arder sobre o mar, saberei que deverei recomeçar. O céu é cinza, ameassador, como o horizonte negro, opressor. É o expurgo da minha alma velha, que logo deverá retornar, bela. A hora chegou, o horizonte se abriu. Luz dourada no mar, o Sol surgiu. Meu fogo trará purificação, minha alma voltará em redenção. Deitado em meu navio fúnebre naveguei pelo oceano lúgubre, ouvindo a elegia terna canção da morada eterna. Flecha em chamas cortando o céu, acende a pira que trará o véu da morte inexorável sobre mim, réquiem sublime do necessário fim. Agora eterna, minha alma espera que o fogo devore minhas feras, para em seguida surgir um novo ser, um novo Eu irá viver. ___________________________ Marlon Weasdor, 26/01/2011

Viagem por Terra, Água e Ar

Bandeiras no horizonte, poeira em nosso rosto. Gelo com cheiro de Morte e o chão treme sob nós. Certeza de vitória, cortina vermelha em nossos olhos. Não são bandeiras, são navios e velas. Não é poeira, mas água. Não há gelo, apenas uma gélida brisa. Não há chão, apenas o oceano. Certeza de vitória, cortina vermelha em nossos olhos. Não são velas ou navios, são pássaros, e não existe água, apenas nuvens. Não há brisa, mas vento morno e perfumado. Não há oceano, apenas nuvens. Certeza de vitória, cortina vermelha em nossos olhos. Numa ilha de castelo brancos, num destino muito distante, num futuro não tão longe, Lá. Certeza de vitória, cortina vermelha em nossos olhos. Marlon Weasdor, 17/05/2011. Mais uma daquelas alegorias miseráveis, desculpem-me. Hoje acordei com ares de Esperança.

O calor dos festejos

Ele caminha pelo nada É silhueta, é solidão Crepúsculo e escuro Vem noite e escuridão. Mas ele não pára. Em volta, o desamparo Na face o desgosto Oh! Destino amargo! O homem caminha Triste e angustiado Sob peso invisível Segue curvado.  tapete, abajur e cheiro de Lar. Nosso Lar. Cachorro bochechudo a obsevar, vez ou outra late e chacoalha o corpo. Rabo curto, pobrezinho!  À frente uma luz Um casebre mau cuidado Música e risos E gritos acalorados. Uma taverna, uma festa! O homem é dominado Pelo som, pela alegria Pelo casebre iluminado. Dentro há calor Lá há alegria Os problemas sumiram Ele sente a energia. Arregaça as mangas Joga os sapatos Abraça os amigos Este é seu lar amado! Jamais desistirá De sua vida dura No calor dos festejos Encontrou a sua cura! 20/02/2009

Meu doce silêncio

Olho para o abismo de mim mesmo Colho os frutos da mente cheia e vazia envolto em neblina, andando a esmo Na terra seca onde oceano havia. Percebo o silêncio que me toca e tanta dor que foi morrendo... Simples vento que vem e me corta e aquela música que agora compreendo. Ela foi e ela voltou, sempre os mesmos sentimentos, é a alegria e é a dor, sempre presentes ao mesmo tempo. De novo as chamas de Weasdor ardem. O mau se vai no incêndio. Tantas dúvidas que, derrotadas, partem, e eu volto para meu doce silêncio. Marlon Weasdor, 28/02/2010. Sobre retornar aos versos depois de um longo período ocioso. Mas esse poema pode ser interpretado de diversas formas diferentes. Como eu citei na postagem da Doce e Rubra Insanidade . O que acontece é que meus poemas não são diretos. Eles são sempre alegorias. São composições sobre coisas, impressões. E eles podem ser interpretados de diversas formas. Acho que uma boa obra de arte é aquela que se relaciona diretamente co...

Sol, céu, relva e mar

O Sol já caminha alegre. Teto azul e chão verde. Sob céu claro eu ando, sobre a grama tão viva, caminho exuberante, vida cintilante... Esperança que aquece, constante é minha sede, em alegria ou pranto, mas com fé altiva. Campos verdejantes Meu lar distante Meu Sol que vem e cresce Meu sonho que amanhece pedi, cresci esperando para correr, oh relva amiga. Colinas sussurrantes na brisa palpitante. Braços abertos, sorriso tão certo Correndo feliz, o vento me diz Que logo, tão logo partirei, voarei... Com minha Senhora ao lado Minha paz, meu amor, asas abertas sobre os mares, Casa brancas tão belas... Mares magníficos, amor tão antigo Livres, suaves, dourados sob o Sol a se pôr em velho lar familiar antiguidade singela. Céu azul, meu amigo. Mar azul, eu te sigo. Nove canções e sons mágicos Olhos brilhantes, cheios de ardor, seu beijo suave a me acalmar, seu toque me descongela. Ventos a voar comigo, Caro Sol, estou contigo. 08/02/2011 ...