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Mostrando postagens com o rótulo Weasdor

Silêncio quebrado

modcam No fim do mundo havia um velho dragão, cuja alma era quase tão idosa quanto o próprio mundo. Ele não era um manso, mas amava a paz, adorava o silêncio de sua caverna e o gotejar incessante das águas que escorriam pelas estalactites. Adorava rasgar os céus em alta velocidade com suas asas gigantescas, varando as nuvens, mergulhando em direção ao chão e arremetendo quando estava prestes a tocar o chão.

Um poema meu em um livro

É com alegria que anuncio que um poema meu foi classificado no Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Poesia Livre 2013 , realizado pela Vivara Editora Nacional! O concurso teve 2.186 candidatos inscritos, e 250 poemas foram escolhidos para serem publicados no livro Antologia Poética, Poesia Livre 2013. O poema cavernoso que constará no volume é Cotidiano 23. Lentamente eu encontro espaço para abrir minhas asas!

Das dores do poeta

alexbruda Surge aos portões do castelo distante um monstro maldito chamado Discórdia cujo riso sanguinolento macula as alegrias que ficam na memória, trazendo versos à pena do poeta que lamenta sua amarga história, despida de amor, esperança, fulgor, isenta da sempre desejada glória. Com um golpe impiedoso da vida, disfarçada como o velho destino, o guerreiro da caneta se entrega a tudo aquilo que já foi escrito e àquilo que nunca vira palavra, e esperança vira um fio fino quase se partindo, seu mundo ruindo, seu mundo vazio, castelo maldito. Assim, a dor do poeta se escreve, a saudade se cria sozinha, livre, e empunhar uma caneta sangrenta vira obrigação daquele que vive para expressar no papel o que sente, a luz que sobre seu sorriso incide, a sua visão distorcida do mundo, a sábia falsidade na qual insiste. ___________________________  22/10/2012 Provavelmente o poema mais complicado que já escrevi até hoje. Uma alegoria intrincada sobre as c...

União

Séculos desaparecem, sólidos em linhas históricas, relatos de vergonhas e glórias, os milênios evanescem. Areias do tempo deslizam, Cronos devora o universo, sendo eterno, destino certo, vozes distantes ecoam. Anos ficam para trás, mas Coruja e Dragão permanecem contra o tempo tão fugaz. Antigo amor não se desfaz, desde o nascer do mundo tecem seus eternos desejos de paz. ____________________________________ Marlon Weasdor, 03/07/2012. Sobre amar alguém e ter a certeza de que já amou essa pessoas várias vezes no passado.

Ódio e Maldição

Ferve o sangue nas veias de quem grita Acende o fogo no peito de quem vê Arde o chão sob os pés do sonhador Explode ódio no coração, na alma. Céu azul e sorridente a coroar os desejos e os sonhos mais brilhantes daqueles que estão aprisionados na vida que subjuga os justos. Os suspiros que ecoam pelo mundo são os lamentos de raiva e tristeza, a revolta contra as futilidades que são como muitos muros e correntes. Repulsa a arrepiar-me a pele, sinto asco pela falsa alegria dos seres inferiores ao meu redor, aqueles predadores sujos e tolos. Predadores de alma e alegria Caçadores de espírito, malditos Carcereiros com mentes pequenas, Animais perdidos num mundo vazio. Bato as asas para trazer a todos Morte, Dor e Destruição merecidas e o passado será sua morada até o fim da brutal era dos homens. ___________________________ 05/11/2011. Algumas palavras escritas num dia de muita raiva.

Contemplações no abismo sem fim

Os dedos perdiam a força e os braços já não suportavam mais o peso do corpo. O vento impiedoso fustigava-lhe o corpo, balançando perigosamente, fazendo-o chacoalhar e se chocar contra as rochas. Desespero e dor aguçavam sua mente, e cada parte de seu ser empregava uma força descomunal na tentativa de se erguer novamente. Já estava pendurado na beira daquele penhasco há horas, e já não tinha mais forças. De repente a mão direita escorregou, e a aresta aguda da rocha rasgou a pele de seus dedos. O vento soprou com mais intensidade, como se tivesse a intenção de dificultar ainda mais sua situação. No rosto um esgar de medo e fúria; no peito uma sensação de desamparo, abandono e injustiça; na mente pensamentos de morte, dor e ódio. Olhou para o céu escuro e praguejou, e como resposta uma coruja surgiu num vôo baixo, piando cheia de escárnio. Ela sobrevoou o condenado, num movimento lento e circular no ar poluído, fez uma meia volta e piou novamente enquanto saía do campo de visão d...

Cotidiano 23

Na estação, todos os trens são idênticos. Todos as pessoas são a mesma criatura, inimigos incansáveis ao seu redor, presença constante nos dias felizes e nos dias tristes. E você é só um grão de poeira no vento, apenas uma alma que se perde nos gritos. Sem enxergar a vida ao seu redor, vendo apenas o ar imundo da cidade, o silêncio de dentro é mortal, é nocivo, enquanto os trens urram sem parar, enquanto os outros vomitam palavras. Hoje você é um deles, amanhã você os repudia. E o mundo te molda, argila. O mundo te moldou, fez o que quis com você,  e a vida te transformou, te criou. Veja a mancha à sua volta, a velocidade das pessoas, correndo, um borrão. Você faz parte disso, desse tudo imundo. Agora você destrói tudo dentro de si. Suas veias latejam, pois o ciclo acabou. Só o que resta é uma canção bonita quando você apaga os terrores que viveu. As manchas do passado desaparecem quando você incendeia e se livra do teu mal. E enquanto você destrói es...

Quando o monstro desperta

Caverna escura e profunda Refúgio sagrado de um gigante Cujas asas tocam o céu Uma criatura muito antiga Por muitos temida Indomável e invencível. Lá fora, o Tempo segue lento. Assédios e angústias Lamentos e detalhes. Tremores que despertam o gigante. Dragão que abre as asas Olhos que se enchem de fogo. E o Dragão desperta Com ira para queimar Ódio repentino que alimenta o fogo Sangue que cobre seus olhos Calor que seu corpo emana Explosão vermelha e dourada. Ele grita, ele urra Se agita, pisa e bate A caverna treme, o chão vibra Fogo que arde e sofoca Grito agonizante de ira Ira sagrada, semente de ódio Som agudo que vem de longe Urro profundo que ecoa Dor que nasce no peito Quando o orgulho o deixa cego Quando o exterior o ofende Quando uma folha cai de forma errada. O Dragão vomita seu fogo Queima tudo ao redor Destrói, urra, traz dor Se alimenta da Ira repentina E então volta a adormecer Cansado, inocente, soberbo. Marlon Weasdor, 24/0...